Especialistas em prevenção e tratamento de feridas e escaras
Se o seu familiar desenvolveu uma escara, você provavelmente está assustado — e talvez esteja se culpando. Escara não é sinal automático de descuido: ela surge rápido em quem tem mobilidade reduzida, mesmo com boa vontade. O que muda tudo é ter uma equipe que sabe preveni-la e tratá-la.
Por que as escaras surgem
A escara — tecnicamente, lesão por pressão — é uma lesão da pele e do tecido abaixo dela, causada por pressão prolongada sobre uma proeminência óssea. Cinco fatores costumam agir juntos:
Pressão contínua
O peso do corpo comprime a pele contra o colchão ou a cadeira e interrompe a circulação naquele ponto. Sem sangue, o tecido começa a morrer — e isso pode acontecer em poucas horas.
Fricção e cisalhamento
Arrastar o corpo ao reposicionar, em vez de erguer, rasga camadas internas da pele mesmo sem ferida aparente na superfície.
Umidade
Pele em contato prolongado com urina, fezes ou suor fica frágil e se rompe com muito mais facilidade.
Desnutrição
Sem proteína e calorias suficientes, o corpo não tem matéria-prima para manter e reparar a pele.
Imobilidade
Quem não muda de posição sozinho depende inteiramente de outra pessoa para isso. É o fator de risco mais decisivo.
Onde aparecem com mais frequência
- Região sacra (final da coluna)
- Calcanhares
- Quadris
- Cotovelos
- Omoplatas
- Orelhas e nuca
Sinais de alerta
- Área avermelhada que não embranquece ao pressionar com o dedo
- Pele mais quente, mais fria, mais dura ou mais mole que ao redor
- Bolha, descamação ou mudança de cor
- Queixa de dor ou ardência sempre no mesmo ponto
Mudança de decúbito
É a medida preventiva mais importante e mais trabalhosa: mudar periodicamente a posição de quem não consegue se mover sozinho, para que nenhuma região fique sob pressão tempo demais. Alterna-se entre decúbito dorsal e lateral, com apoio para manter a posição e alívio específico nos calcanhares.
Fazemos isso por escala, com registro — não por lembrança. A reposição é feita erguendo o corpo, nunca arrastando, para evitar o cisalhamento que rompe a pele por dentro. E cada mudança é oportunidade de inspecionar a pele.
É justamente aqui que o cuidado em casa costuma falhar — não por falta de amor, mas porque manter esse ritmo dia e noite, todos os dias, exige uma equipe em turnos. Uma pessoa sozinha não sustenta.
Colchões e coxins de alívio de pressão
Superfícies de apoio adequadas distribuem o peso do corpo por uma área maior, reduzindo o pico de pressão nos pontos de risco. Colchões de alívio e coxins de posicionamento complementam a mudança de decúbito — mas não a substituem. Nenhum colchão dispensa reposicionar.
Coxins também são usados para manter o alinhamento do corpo, aliviar calcanhares e evitar que joelhos e tornozelos fiquem em contato direto um com o outro.
Avaliação e curativos
A pele de todo residente com mobilidade reduzida é inspecionada regularmente, com atenção às proeminências ósseas. Quando existe lesão, ela é avaliada quanto a localização, tamanho, profundidade, aspecto e sinais de infecção — e essa avaliação é repetida ao longo do tratamento, porque é a evolução que diz se a conduta está certa.
Os curativos são realizados pela equipe de enfermagem conforme prescrição, com a cobertura adequada ao tipo e ao estágio da lesão. Não existe curativo universal: uma ferida seca, uma com muito exsudato e uma com tecido desvitalizado pedem condutas diferentes.
Em paralelo, a nutricionista ajusta a dieta — cicatrização exige proteína, calorias e hidratação. Tratar a ferida sem tratar a nutrição é enxugar gelo.
Quem executa
O cuidado com feridas é conduzido pelos técnicos em enfermagem, com supervisão da equipe de saúde e acompanhamento médico. Os cuidadores são orientados a reconhecer e comunicar sinais precoces — quem está junto do residente o dia inteiro é quem percebe primeiro.
Somos também instituição-escola na formação de cuidadores e técnicos em enfermagem, o que mantém o protocolo vivo e atualizado na prática diária, em vez de existir apenas no papel.